Entrevista com o Presidente da Eslovênia

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05/01/2009
Entrevista com o Presidente da Eslovênia

Texto extraído do site http://www.evana. org/index. php?id=9150&lang=pt

 “O vegetarianismo aumentaria a chance de sobrevida da humanidade a longo prazo.”

Dr. Janez Drnovšek, Presidente da República da Eslovênia, fala sobre vegetarianismo e direito dos animais.

Em toda a história da humanidade houve apenas alguns notáveis estadistas que eram vegetarianos e que se posicionaram de forma séria a respeito dos direitos dos animais. Ainda hoje existem muitos poucos. A Eslovênia é uma das poucas luzes que brilham no presente mundo da politica.

Ao dar esta entrevista, o presidente Dr. Janez Drnovšek apelou pela primeira vez aos povos para que comecem a pensar a respeito da inimaginável brutalidade que o homem infligi contra os animais.

Damjan Likar, editor chefe da revista da Eslovênia “Liberação Animal” entrevistou o Dr. Drnovšek no dia 15 de dezembro de 2005, em Brdo, perto de Kranj/Eslovênia. Por favor, veja a reportagem completa.

Pergunta: Por que o sr. se tornou vegetariano e que mudanças o sr. notou como resultado?

Resposta: Porque eu sinto que a comida vegetariana é melhor, de melhor qualidade. Nós comemos carne porque é esta a forma como fomos educados. Já sou vegetariano faz alguns anos e só recentemente me tornei vegano, o que significa que não tomo leite, não consumo laticínios ou ovos. Ainda assim sobra muita coisa, uma boa variedade de alimentos vegetais suficientes para as nossas necessidades. Dei este passo seguindo um sentimento interior. Algumas pessoas acreditam que a alimentação vegana é muito limitada e chata, o que não é verdade. Ela pode ser muito variada.

Pergunta: A razão principal para a mudança de sua dieta alimentar foi a doença séria que o sr. teve há alguns anos?

Resposta: Foi quando eu comecei a mudar gradativamente. O primeiro passo foi evitar a carne vermelha, depois as aves e finalmente os peixes.

Pergunta: Depois de mudar para a alimentação vegetariana o sr. se sentiu melhor, mais saudável?

Resposta: Me sinto ótimo – dizem que tenho energia até demais.

Pergunta: No Dia Mundial de Proteção aos animais (4 de outubro) o sr. convidou membros da “Sociedade para a Liberação dos Animais) e seus direitos para discussões. O que foi discutido?

Resposta: Eu os convidei principalmente para tentar passar esta mensagem ao público em geral e também que coincidisse com o dia de hoje. Nem sempre entendemos como nós tratamos os animais, como lidamos com eles. São criaturas vivas. Como eu disse, as pessoas tem esta idéia padrão de comportamento em relação aos animais com o resultado de muito raramente se questionarem do que estão causando. Se pararmos por um momento para pensar na maneira de como lidamos com eles e qual o impacto resultante no mundo animal, poderíamos dizer que não fomos nada humanos. Pense em todos os matadouros e na produção de bife e de aves onde as condições para os animais são impossíveis. Freqüentemente os animais são transportados em caminhões sem água, o que é extremamente cruel. Não que as pessoas sejam más, elas simplesmente não pensam nisso. Quando o produto final está na frente delas num prato, elas não pensam no que aconteceu e como ele chegou até este estágio.

Pergunta: Então o sr. decidiu se tornar vegetariano também por razões éticas?

Resposta: A ética é parte da razão; a outra é que os seres humanos não necessitam de carne. É a forma padronizada de pensar que nos foi imbuída. Realmente é difícil de mudar da noite para o dia, mas pode ser conseguido gradualmente. Foi assim que eu consegui.

Pergunta: O sr. disse na mídia ser contra o enorme subsidio à pecuária. Qual seria a razão para isto?

Resposta: Acredito que seja idiotice da União Européia ter como prioridade subsidiar cem por cento a agricultura e especialmente a pecuária. O fato da União Européia subsidiar maciçamente a produção de carnes e de aves é realmente o principal obstáculo, do ponto de vista ético. Não é apenas isso, mas também do ponto de vista nutricional. Somos freqüentemente lembrados pela natureza i.e. a doença da vaca louca, recentemente a febre suína e a gripe aviária. É óbvio que alguma coisa não está andando como devia, que algo está desequilibrando a natureza, e isto deveria ser um aviso para todos nós.

Pergunta: Os produtos vegetarianos à venda nas lojas são mais caros do que os produtos animais, o que não encoraja as pessoas a adquirirem produtos mais saudáveis. O sr. acha que se pararia de consumir carne caso a opção vegetariana fosse mais barata?

Resposta: Isso também é um fator, embora eu acredite que a razão principal seja a conscientizaçã o das pessoas. É uma questão de conscientizar as pessoas do que está ocorrendo e que elas são parte deste todo. Eu acho que é aí que está a chave. O que por conseguinte levaria a mudanças na política i.e. política da agricultura, subsídios e objetivos futuros. Em vez de usar enormes recursos para a produção em massa de carne deveríamos usá-los para a agricultura orgânica de cereais, grãos, frutas e seus derivados. Isto certamente seria uma atitude mais gentil com a natureza uma vez que a produção orgânica não utiliza fertilizantes químicos nem aditivos. Resultado: Estes elementos não iriam poluir o meio ambiente nem teríamos aditivos químicos nos alimentos. Consumimos esses produtos químicos todos os dias e eles são prejudiciais à saúde. Mas atrás disso tudo estão os interesses das grandes empresas, lobbies, lucros enormes que movem esses conglomerados da indústria da alimentação. Contudo, acredito que a conscientizaçã o das pessoas continua aumentando no nosso país e na Comunidade Européia. As pessoas estão mais e mais procurando alternativas naturais; elas estão se virando para a natureza, se tornando mais conscientes dos problemas relacionados aos animais e seus produtos.

Pergunta: Com base nas suas próprias experiências o sr. recomendaria às pessoas experimentarem o vegetarianismo?

Resposta: Se eu sou, não vejo nenhuma razão para não recomendá-lo aos outros. Como eu disse, não tenho reclamações a fazer; tenho mais energia de que preciso. Assim sendo, sou prova viva que se pode sobreviver sem carne e seus derivados.

Pergunta: Como o sr. vê o fato de todos nós termos de contribuir igualmente para o sistema previdenciário? É de conhecimento geral que os vegetarianos são bem mais saudáveis e portanto não usam a previdência freqüentemente.

Resposta: Este é um problema mais amplo; todo conceito poderia ser diferente. Não acho que este seja uma questão válida porque acredito de devia haver uma certa solidariedade, onde pessoas saudáveis ajudam aquelas que não estejam bem. Porém também é verdade que todos são responsáveis pela sua própria saúde. Se consumirmos menos alimentos prejudiciais, estaremos diminuindo consideravelmente o peso sob o sistema previdenciário. É claro que isto não interessa a todos. O que aconteceria à indústria farmacêutica, às grandes multinacionais que fazem bilhões as custas dos doentes?

Pergunta: Como o sr. vê a caça?

Resposta: Caçar no sentido de matar animais, como um esporte, certamente não é ético. Se o sr. se refere ao segmento da caça que cuida do meio ambiente natural e de animais selvagens, como por exemplo, lhes fornecendo alimento durante o inverno – é muito útil. Caça, que por definição é somente perseguir e matar animais, é evidentemente, completamente anti-ético.

Pergunta: Qual a sua opinião sobre testes em animais?

Resposta: Este é um dilema bem conhecido que esteve em destaque na política européia e da Grã-Bretanha. Você deve perguntar-se a si mesmo se você gostaria de ser objeto de tais testes. Durante a segunda guerra mundial meu pai esteve preso num campo de concentração em Dachau, onde foi submetido a este tipo de experimentos juntamente com milhares de outros prisioneiros. Ele não gostou nem um pouco. Alguns iriam dizer que é necessário para o progresso da ciência, porém tenho certeza que na maioria dos casos, métodos alternativos podem ser utilizados sem que se usem animais para testes.

Pergunta: De onde o sr. acha que se origina esse tratamento brutal dispensado aos animais.

Resposta: Vem do baixo nível de conscientizaçã o das pessoas.

Pergunta: E historicamente?

Resposta: É difícil apontar o momento exato da história. É uma questão de respeitar a vida em geral. Animais são criaturas vivas com sentimentos. Todos aqueles que tem um animal doméstico ou um bicho de estimação sabe que animais têm sentimentos.
As religiões falam freqüentemente do respeito à vida, mas somente a vida humana e às vezes nem esta. Contemplando a Idade Média, os católicos proclamaram por um longo período que os Índios Pele Vermelha, escravizados pelos espanhóis e portugueses não possuíam alma. Isto significa que eles não eram tratados como criaturas vivas com sentimentos. Depois mudaram de idéia proclamando que os negros não tinham alma. Seguiram-se séculos de escravidão negra. Tudo isso aconteceu com a benção da Igreja. Hoje ninguém mais aceita isso. Podemos ver como a consciência histórica das pessoas está mudando, apesar da oposição de algumas instituições em períodos diferentes.

Pergunta: É quase Natal. Para milhões de pessoas é uma época de felicidade, amor e paz. Para milhões de amimais é uma época de extrema crueldade e matança, para que as nossas mesas possam estar fartas de carcaças. E tudo isso para celebrar o nascimento de um homem que amava animais, protegia-os e não os matava. Qual sua visão sobre isto?

Resposta: Jesus viraria na cova ao saber que uma matança em massa de animais estaria em andamento a cada ano em seu nome. Sua libertação está baseada no respeito absoluto pela vida e é muito difícil imaginar que ele aceitaria que milhões de criaturas vivas seriam mortas em sua honra.

Pergunta: O sr. tem consciência de que todos os vegetarianos (incluindo o senhor) são amaldiçoados pela Igreja e condenados ao inferno eterno?

Resposta: Felizmente não está na mão destas pessoas a decisão de quem vai e de quem não vai para o inferno.

Pergunta: Todos os lideres mundiais sempre enfatizam seu empenho pela paz mundial. O sr. acha que a paz está de alguma forma conectada ao nosso relacionamento com os animais e a nossa nutrição sem a necessidade de matar? Tolstoi disse “Enquanto houver abatedouros haverá guerras”.

Resposta: Se a consciência de uma pessoa for altamente desenvolvida, ela não matará nem será cruel para com os animais. Você não espera que alguém assim vá para a guerra ou que mate por lucro. Pessoas que não matam e não se alimentam de animais tem uma chance maior de achar um meio de viver em paz e harmonia. Tudo está interconectado na consciência. Num nível mais elevado uma coisa vem com a outra. É na conscientizaçã o das pessoas que está a chave.

Pergunta: Como que os políticos vêem isto?

Resposta: Os políticos não têm mais consciência disso do que a maioria das pessoas. Tenho notado que em muitos casos pessoas comuns estão à frente dos políticos. Vemos muitas organizações não governamentais patrocinando causas que não são prioridades dos governos. Seja na nossa forma de lidar com animais, meio ambiente ou mudanças climáticas. Essa iniciativa para mudar vem de pessoas comuns da sociedade.
Quando a massa crítica da sociedade aceita uma idéia, quando a maioria do povo espera e exige mudanças, os políticos responderão. Infelizmente, os políticos não são os que encorajam as pessoas a se conscientizarem, ao contrário, eles seguem a opinião pública do momento. Quando eles percebem perda de apoio popular eles reavaliam suas prioridades.

Pergunta: Tolstoy é apenas uma das “grandes mentes” da humanidade, que falava publicamente em favor do vagetarianismo. Deixe-me nomear alguns poucos: Pitágoras, Leonardo da Vinci, Nikola Tesla, Albert Einstein e Mahatma Gandi…. Essas pessoas são reconhecidas pelos seus grandes trabalhos e realizações, são freqüentemente citados em reconhecimento a sua genialidade. Por que o senhor acha que a humanidade não quer ouvir falar sobre animais e vegetarianismo destas grandes mentes, como por exemplo esta ousada afirmação de Albert Einstein “Nada aumentará de forma tão significativa nossas chances de sobreviver na Terra do que mudar para uma alimentação vegetariana”. Como o sr. comentaria esta citação do gênio da física?

Resposta: Certamente as chances de sobrevida da humanidade aumentaria à longo prazo. Tudo está conectado. Melhor qualidade dos alimentos está de alguma forma ligada com um nível mais alto de conscientizaçã o. É um processo paralelo – se podemos alcançar um podemos alcançar o outro.
Entretanto, não seria razoável esperar de um povo com baixo nível de conscientizaçã o, que é cruel para com os animais, que acabe com as guerras, que pare de manipular os outros, que ajude a erradicar a pobreza mundial.
Em suma, enquanto o nível de conscientizaçã o for baixo, todos os desacordos do mundo de hoje continuarão e possivelmente aumentarão a ponto de aniquilar a espécie humana.

Pergunta: Existem pessoas que se dizem amantes dos animais, mas ao mesmo tempo comem carne. Será que elas realmente podem amar os animais?

Resposta: Eu acho que as pessoas amam os animais, seus bichos de estimação, mas de alguma forma automática comem outros animais. Se elas tivessem de abater uma vaca para ter um bife, pensariam duas vezes. Os produtos feitos de carne são tão alterados na sua aparência que as pessoas não os associam com verdadeiros animais.

Pergunta: Algumas senhoras usam peles de animais no inverno. Como o sr. vê esta indústria da moda?

Resposta: Mais uma vez se trata da conscientizaçã o das pessoas. Elas aceitam com freqüência e automaticamente os comportamentos padrões sem questioná-los. Somente quando você questiona algo, você pode mudar seu ponto de vista e se tornar mais consciente do que você está comprando.

Pergunta: Onde se obtém o direito de abate, de encarcerar e torturar animais e ao mesmo tempo exigir paz e todos os direitos para si mesmos? Isto está sancionado na constituição?

Resposta: Isto não está sancionado desta maneira, claro que os advogados e legisladores lhe dirão que não é proibido; porém, na verdade assume-se que seja legítimo.

Pergunta: Ouvi de uma fonte extra-oficial que até seu cachorro Brodi é vegetariano. É verdade?

Resposta: Você está bem informado. Melhor perguntar a ele pessoalmente. Não estou autorizado a responder em seu nome (rindo).

Traduzido por Joseph Skilnik
Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Janez_Drnovsek.jpg

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