Rádio e Felicidade

Sexta-feira, 22/07/2011

Roberto Custodio/ Gazeta do Povo

Roberto Custodio/ Gazeta do Povo / Há 20 anos no ar, o radialista Cleber Toffoli  usa linguagem direta, gerando a sensação de intimidade na pessoa Há 20 anos no ar, o radialista Cleber Toffoli usa linguagem direta, gerando a sensação de intimidade na pessoa

Bem-estar

Rádio supera tevê em felicidade

Segundo pesquisa, nível de energia positiva gerada pela ilustre caixa falante é duas vezes maior do que a televisão e o triplo da internet

Publicado em 17/07/2011 | Juliana Gonçalves, da sucursal

Londrina – Hoje existe um vasto aparato tecnológico que acompanha o ser humano aonde quer que ele vá. Mas o autêntico companheiro para todas as horas ainda é o bom e velho rádio, que ganha forma de amigo em momentos de solidão. Além disso, ele é o grande veiculador da música, um santo remédio para os mais diversos males. A ilustre caixa falante atravessou gerações e continua provocando sensações nas pessoas.
Recentemente, um estudo britânico concluiu que ouvir rádio gera mais felicidade às pessoas do que ver televisão ou navegar na internet. A pesquisa foi feita com mil pessoas, que revelaram como estava seu humor enquanto utilizavam os meios. O nível de energia provocado pelo rádio foi duas vezes maior do que o gerado pela televisão e o triplo da internet. Um estudo feito separadamente chegou a resultados semelhantes. Utilizando eletroencefalografia para examinar a atividade cerebral de seis pessoas, cientistas perceberam que o rádio estimulou níveis de envolvimento positivos no cérebro dos voluntários.
O resultado das pesquisas não surpreende o radialista Cleber Toffoli, no ar há 20 anos pela Rádio Igapó, de Londrina. “Muita gente liga o rádio porque está sozinha e encontra nele uma companhia. É alguém que entra na minha casa, sem me invadir, e me gratifica com uma boa distração”, conta.
O locutor quase sempre fala com o ouvinte usando linguagem direta, o que gera a sensação de intimidade nas pessoas. Toffoli tem ouvintes que o acompanham há 20 anos. Com tanto tempo e graças ao canal aberto aos ouvintes, ele reconhece muitos deles. “Certa vez, senti falta de um ouvinte que sempre telefonava. Depois soube que ele estava muito doente e mandei um alô no ar. Mesmo muito debilitado, a família contou que ele sorriu ao me ouvir”, conta.
Avaliando algumas características do rádio, é possível compreender o resultado da pesquisa. “É um meio que cria muita proximidade com o ouvinte, se tornando mesmo um companheiro para as horas de solidão. Tem muita gente que conversa com o rádio”, explica a professora da Universidade Federal do Paraná Flávia Bes­­palhok, estudiosa do veículo.
Por acionar apenas um dos sentidos do ser humano, o rádio provoca imagens mentais, aguça a criatividade e a imaginação. De acordo com a professora, os quatro elementos da linguagem radiofônica – voz, música, efeitos sonoros e silêncio – conjugados provocam as mais diversas sensações no ouvinte. “É um conjunto de fatores que envolve quem escuta como qualquer interlocutor”, afirma.
Música
Dentre esses elementos, talvez seja a música o que tem a maior parcela de responsabilidade no nível de felicidade detectado pela pesquisa nos consumidores do rádio. Que a música pode relaxar, trazer antigas lembranças e aguçar emoções, ninguém duvida. Mas os inúmeros benefícios que ela pode trazer à saúde ainda estão, aos poucos, sendo descobertos. A sabedoria popular parece realmente estar certa neste caso porque, a cada dia, novos estudos confirmam que quem canta seus males espanta.
E não só quem canta. Na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), a atividade de fazer música promove maior consciência do corpo e dos sentidos. Produzindo sons, crianças e adultos, vítimas de paralisias e traumas, trabalham o desenvolvimento cognitivo, distrofias neuromusculares e sequelas de acidentes vasculares cerebrais. “A musicoterapia tem vários métodos. No nosso caso, usamos a questão rítmica para ajudar nos problemas motores”, conta a psicóloga da associação, Clara Ikuta.
A musicoterapia é um processo sistemático de intervenção, que usa como base o histórico musical do paciente. “É um tratamento muito personalizado porque parte das experiências musicais de cada um. E os efeitos provocados por cada tipo de música são diferentes em cada pessoa”, explica a musicoterapeuta Marília Lopes, coordenadora do curso de especialização em Música e Saúde, da Unifil, em Londrina. Segundo ela, é possível aplicar a música em tratamentos de qualquer área, inclusive odontológicos. “É cientificamente comprovado que a música atua sobre os níveis hormonais do ser humano, interferindo na qualidade de vida, no sono e no humor.”
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